domingo, 6 de janeiro de 2013

Estava eu, ou melhor, nós, em pleno dia de aulas, um dia comum, de certo. Se fazia sol ou chuva, não me me lembro. Sei que foi já à uns largos largos anos, andava eu na tenra idade do sexto ano. Estava na aula de moral, a um dia que a minha mente vaga não se consegue lembrar também, mas faremos de conta que era sexta-feira. A professora, magrinha e carrancuda, de cabelo curto, óculos redondos e de estatura média, chegou à sala. Nós já sentados, porque tivemos aula na hora anterior, fazendo uma algazarra de todo o tamanho, como era costume, fomos interrompidos pela voz obscura daquela senhora. Tinha um comunicado a fazer. Ansiosos, olhávamos uns para os outros como se, em uníssono, estivéssemos a pensar na mesma coisa. Tantos olhares e palavras sussurradas se trocaram, até que a professora disse o que tinha a dizer : ia-se reformar. Nós, alunos inocentes mas sarcásticos, transmitíamos olhares de tristeza e vozes de saudade instantânea. Que sentimentos forçados, falsos e irónicos foram aqueles. Os tais pensamentos cruzados sempre se fizeram cumprir. Era um dia de sorte para nós, pois aquela professora de que ninguém gostava, que todos a achavam medonha, de mau humor, sempre contra tudo, de voz possante e assustadora, ia-se embora.
Ficou marcada assim a senhora, aquela que todos a reconheciam como má.
Passaram quase 5 anos já, e ultimamente tenho-me sentido muito sozinha... com um longo e profundo vazio no meu peito e na minha alma. Parece que ninguém quer saber, ninguém quer cuidar de ninguém. Está tudo monótono, sempre ao mesmo ritmo, ao ritmo de simples rotinas. No entanto, estava eu com a minha mãe, fomos fazer compras. Estávamos a secção fria do leite, se não me engano, quando alguém de tocou na cabeça. Virei-me. Era ela. A professora que ninguém gostava. Continuava na mesma por fora, mesma estatura, mesmo tipo de óculos, etc. Ainda se lembrava de mim. Perguntou-me em que ano estava, e se estava tudo a correr bem. Eu lá disse, meia tímida, meia do meu jeito: "Já estou no 10º, professora e está tudo a correr bem, dentro do possível". E ela eis que me diz: "eu gosto de perguntar isto, para ver o quão pequena e velha estou a ficar. Espero que tenhas um bom ano e tudo de bom." ... "obrigada e igualmente" . Aquelas palavras de preocupação puseram-me a sorrir durante muito tempo. Foram puras, sinceras.
De repente, o meu coração começou a ficar ressentido. Ressentido de muita coisa que disse e fiz contra aquela senhora, que era um mero ser humano, sensível e, pronto, normal. Como podemos ser tão moribundos para alguém? Como, mesmo em crianças, somos capazes de julgar o livro pela capa? Como podemos ser narcisistas ao ponto de acharmos alguém feio ou mau simplesmente pela forma como trabalha ou trabalhava?
Foi a partir desse momento que parei de julgar as pessoas pela forma como elas são connosco em situações de pressão, simplesmente parei. Sei bem o trabalho e desgaste que dá a uma pessoa ser professor. Agora fazia sentido, que tudo aquilo que ela me ensinou, não era para me atacar, nem nada do género, porque, muito pelo contrário, fez-me crescer!
Por isso, eu vos digo, reconheçam o trabalho que cada pessoa faz para vos pôr a evoluir e crescer, não liguem a pormenores fúteis, sejam meigos, saibam perdoar, saibam falar, saibam respeitar e, o mais importante, saibam ouvir... as melhores lições vêm as situações banais, por isso é preciso estar atento! *

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

*DESABAFO - 18/08/2012

EU.GOSTO.DE.TI. É sério, não é nada que se possa dizer na brincadeira.
E se me apaixonei por ti não foram coisas fúteis que me fizeram senti-lo, não são coisas que vão e vêm, como o vento, ou uma estação do ano. Gostei de ti porque coisas bonitas me levaram a fazê-lo, coisas que marcam. Gosto de ti porque sei que contigo posso falar de tudo, e fazer de tudo. Sei que se te convidar a dar uma volta tu vens, e se eu quero jogar um jogo contigo no pc, tu também aceitas. Porque tu mostras querer estar comigo a todo o momento, e fazes todo aquele caminho para vir ter comigo.Gosto de ti porque me fazes rir, fazes coisas idiotas e sem sentido, e eu gosto, porque me faz ficar bem-disposta e feliz. Gosto de ti, porque me fizeste mostrar que o teu passado e as tuas más acções não afectam o que és hoje, ou pelo menos tentas fazê-lo. Gosto de ti porque consegues surpreender-me, uma coisa que muito pouca gente consegue. Gosto de ti porque me fazes ter saudades tuas, e também porque me compreendes quando algo está mal. Gosto de ti porque não levas a peito se te disser a verdade e o que acho de errado. São todos esses actos simbólicos de que me irei lembrar para toda a vida, e não o facto de me quereres beijar, e de esse tema estar enquadrado em tudo, de que só essa forma de afecto é válida, e de que não é necessário falar de sexo para sermos abertos um com o outro. O facto dos ciúmes terem de entrar em todas as situações, e de que eu posso ficar com ciumes e tu também. Eu digo: CIUMES NÃO É FOFO de sentir nem de ver sentir.  São estes pequenos recados que deixo, que me fazem ter (in)certezas de tudo. Porque gosto de ti e é genuíno, e que espero que este sentimento não venha a perder com coisas que não serão simbólicas na minha pequena alma. fim.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012